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(Dorina Nowill)

Livros para crianças cegas serão lançados na Bienal
25/04/2011
Qual a criança que não adora uma historinha? Os meus filhos, um que está para completar dois anos e outro de quase cinco, amam. Todos os dias, eles pegam seus livrinhos, sentam na mesinha e pedem para que alguém leia as histórias. Não preciso discorrer sobre a importância de um livro na vida de uma criança e o quanto mais cedo isso acontecer, melhor. Crianças cegas também querem participar desse universo literário. E elas podem. Na Bienal do Livro de São Paulo, que acontece entre os dias 12 e 22 de agosto, alguns livros infantis em braile serão lançados. No sábado 14, às 15h, será Dudu da Breka, de Cláudia Cotes, do selo Fundação Dorina Nowill para Cegos. Dudu é um menino danado, que não deixa de fazer peripécias pelo fato de não ver.

Conversei com a autora Cláudia Cotes, de 42 anos, fonoaudióloga e mãe de Carol, de 12 anos e Vítor, de 8 anos. Este é o quarto livro de Cláudia em braile e o décimo para crianças com deficiência. Cláudia foi levada a fazer esse tipo de literatura, porque teve um irmão com síndrome de down. Segundo ela, tudo começou em 2003, quando resolveu fazer um CD de histórias sobre as crianças com deficiência. “Eram crianças que explicavam as diferenças entre o mundo delas e o nosso: como viver no escuro, a importância do silêncio e até como andar em cadeiras de rodas”, diz. Um simples CD virou um kit com livrinhos em braile e em sinais para mudos e surdos. Em 2004, essa iniciativa musical e literária se transformou em um projeto maior – oficinas em shoppings centers com a participação de voluntários de diversas profissões. Eles davam aulas de braile e linguagem dos sinais ao público. Nesse mesmo ano, o irmão de Cláudia, que tinha síndrome de down, morreu. “Foi no dia internacional da pessoa com deficiência, 3 de dezembro. E a última palavra que ele me disse foi um obrigado pelo CD”, afirma. “Depois disso, vi que eu tinha uma missão de fazer a inclusão acontecer”. Ela, então, fundou a ONG Vez da Voz e afirma que “não parou mais”.

Cláudia produziu o curta O Som do Silêncio, uma história de uma menininha que vive no silêncio. O filme nasceu quando o pai de uma menina surda convidou a filha de Cláudia para brincar com ela. “Fiquei pensando como iria explicar à minha filha que brincar com uma criança surda pode ser legal”. Cláudia diz que por conta da convivência de seus filhos com portadores de deficiências, eles hoje são “pessoas melhores”. Outros dois livros que serão lançados em braile na Bienal são A Bondosa e A Briga (ed. Luz e Vida), dos autores David Araújo e Márcia D’Haese. “Os livros passaram por uma nova roupagem e ganharam a linguagem em braile”, diz a a diretora de arte da editora, Jaqueline Firzlaff.

Não é muito bacana ter no país pessoas que fazem iniciativas como essas?

Fonte:Época